O país em que o Handebol mais cresce está na… América do Sul!

O Brasil tem dominado o esporte nas Américas e planeja ser uma potência mundial como no futebol e no vôlei. Será que eles vão continuar ganhando nos Jogos Pan-Americanos de Lima 2019?

Os brasileiros são famosos por serem bem sucedidos no futebol e no vôlei.

Mas no handebol?

Os atletas brasileiros do masculino começaram impressionantemente bem nos Jogos Pan-Americanos de 2019, e a equipe feminina do Brasil levou a medalha de ouro.

Mas não se engane, porque eles não estão apenas em ascenção durante o PAN de Lima 2019. O Brasil é a nação que os outros times devem ficar atentos durante a Tóquio 2020.

Nos últimos anos, os principais clubes da Europa começaram a contratar jogadores de handebol da equipe masculina brasileira, isso acontece da mesma forma que os clubes de futebol tem feito por mais de 30 anos.

Este ano, o time da Macedônia, RK Vardar conquistou o título da Liga dos Campeões da Federação Européia de Handebol (EHF, sigla em inglês). Uma de suas grandes estrelas é o brasileiro Rogerio Moraes Ferreira, que se tornou o artilheiro da final, marcando seis, dos seis gols na final.

A Federação Européia de Handebol (EHF) chamou o gigante de 2,04m de “monstro da linha”.

Quando ele assinou pela primeira vez com o seu primeiro clube europeu em 2015, o THW Kiel, um dos melhores clubes da Alemanha, o treinador Alfred Gislason disse: "Ele é o jogador com mais perspectiva em sua posição durante gerações”.

E basta apenas uma busca rápida para encontrar outros nomes brasileiros que dominam no Handebol Europeu. José Toledo assinou com o atual campeão da Liga dos Campeões, o RK Vardar.

Haniel Langaro foi contratado por outra potência do Handebol Europeu, o FC Barcelona, onde seu compatriota, Thiagus Petrus, já é um jogador chave na defesa.

Por isso, é justo dizer que jogadores brasileiros de handebol estão estrelando em todo o mundo.

E as mulheres também estão no topo

Em uma breve análise sobre o handebol feminino e facilmente encontramos figuras dominantes como Eduarda Amorim, que joga pelo time húngaro Gyori, um dos melhores clubes do mundo. Ela também foi eleita a melhor jogadora de handebol do mundo em 2014. Um título que sua compatriota, Alexandra do Nascimento, já tinha recebido em 2012.

Barbara Arenhart, que é uma goleira muito boa e carismática, venceu várias vezes a Liga dos Campeões da EHF, e Ana Paula Belo, a melhor artilheira da Rio 2016 no Brasil, é outra estrela que brilha no handebol europeu.

Isso apenas para citar os nomes Brasileiros mais óbvios no Handebol Europeu.

Como tudo começou

Foi uma grande surpresa quando o Brasil conquistou o título do Campeonato Mundial Feminino em 2013.

Além da vitória da Coréia do Sul em 1995, nenhum outro país fora da Europa levou esse troféu anteriormente.

Mas essa rara façanha, de uma equipe não européia, que conquista o maior prêmio no handebol pode ser explicada quando olhamos de perto seu técnico.

Em 2009, a Confederação Brasileira de Handebol iniciou a meta para tornar o handebol "um dos esportes Olímpicos mais importantes do Brasil". Para isso, eles assinaram um contrato com o técnico dinamarquês Morten Soubak. O então jogador de 45 anos esperava que suas origens, berço do esporte, pudessem ajudá-lo a impulsionar as coisas em um país fortemente dominado pelo futebol.

Mas ninguém esperava que ele levaria o Brasil ao título do Campeonato Mundial Feminino em apenas quatro anos da sua temporada.

"Já parecíamos prometer muito durante o Campeonato Mundial em 2011, onde apenas um gol, no último segundo, nos fez parar nas quartas de final", lembra Morten Soubak em entrevista exclusiva ao Olympic Channel.

Morten Soubak como técnico do Brasil na Londres 2012
Morten Soubak como técnico do Brasil na Londres 2012Morten Soubak como técnico do Brasil na Londres 2012

A derrota que abriu caminho para a dominação mundial

Em 2011, o Brasil sediou o Campeonato Mundial Feminino.

Apesar da vantagem em casa, as anfitriãs pararam nas quartas de final ao serem derrotadas pela Espanha, por 27 a 26, depois de um gol no último segundo. Mas o potencial mostrado pelo time da casa não passou despercebido e o interesse dos clubes europeus aumentou.

“De uma hora para outra, a exportação de jogadores para a Europa explodiu", disse Morten Soubak ao Olympic Channel.

"Muitos clubes europeus começaram a me contatar porque perceberam que o Brasil tinha muitas jogadoras interessantes e com um potencial enorme", relembra Soubak.

A exposição das jogadoras no Campeonato Europeu foi um dos principais fatores que contribuíram para o crescimento do esporte. “Depois disso, também fomos muito bem nas Olimpíadas de 2012 em Londres e acabamos nos tornando Campeões Mundiais em 2013. E isso só aumentou o interesse pelas jogadoras brasileiras”, completou o dinamarquês.

A Conexão Européia

A pequena cidade chamada Maria Enzersdorf, a 35 km de Viena, com menos de 9.000 habitantes, abriga uma das equipes de handebol de maior sucesso na história da Liga dos Campeões.

Hypo Niederösterreich ganhou o título oito vezes, e o clube austríaco estendeu a mão para colaborar com o Brasil em 2011.

“Nosso projeto com o Hypo Niederösterreich, de enviar oito jogadoras, além de mim, como treinador, realmente alavancou a equipe Nacional Brasileira”, disse Soubak.

Ele se tornou o treinador do renomado clube enquanto ainda trabalhava como técnico da seleção feminina de handebol do Brasil.

“Para eles foi uma tentativa de levantar o Hypo e conseguir algumas das melhores jogadoras brasileiras de handebol. O projeto acabou sendo efetivado pelo Comitê Olímpico Brasileiro. Eles ajudaram com o financiamento de grandes partes do projeto. Parabéns ao Comitê Olímpico Brasileiro por ver o potencial dessa idéia ”, diz o dinamarquês de 54 anos.

O enorme sucesso fez com que Soubak fosse indicado para o prêmio de Melhor Treinador de Handebol Feminino do Ano pela Federação Internacional de Handebol (IHF, sigla em inglês).

O técnico Morten Soubak sendo carregado depois da vitória do Brasil
O técnico Morten Soubak sendo carregado depois da vitória do BrasilO técnico Morten Soubak sendo carregado depois da vitória do Brasil

Durante o tempo dessa colaboração, duas jogadoras, Alexandra do Nascimento e Eduarda Amorim, conquistaram os prêmios de melhores jogadoras do mundo, em 2012 e 2014, respectivamente.

“Esse entusiasmo em torno das jogadoras brasileiras continuou até as Olimpíadas da Rio 2016, e desde então ficou muito claro o quanto muitos jogadores brasileiros se desenvolveram ao mudar para a Europa”, Morten Saubak fala para o Olympic Channel.

“No começo da minha trajetória no Brasil, eu sempre brincava: “Como jogador de futebol brasileiro, você pode ir para a Europa e conseguir um contrato assinado, mesmo sem passar pelas etapas de teste. Se você fosse um jogador de handebol brasileiro, eles simplesmente mandariam você de volta para casa, sem qualquer contrato”, mas agora, isso mudou.

Os jogadores de handebol do Brasil são uma commodity valiosa e mesmo aqueles que não fazem parte da equipe nacional, conseguem garantir um contrato com um clube na Europa.

E a evolução dentro da equipe feminina também teve impacto no handebol masculino no Brasil.

No Campeonato Mundial Masculino de Handebol de 2019, o Brasil teve seu melhor resultado ao sair da fase de grupos e terminar em nono.

O treinador que motivou o Brasil

Apesar da mais rápida e antecipada história de sucesso com o título do Campeonato Mundial Feminino de 2013, o caminho para a vitória não foi fácil.

Nas semifinais do torneio, eles enfrentaram a potência do handebol, e equipe da casa de Soubak, a Dinamarca.

As tricampeãs Olímpicas eram favoritas para levar o título, e a imprensa dinamarquesa escreveu artigos sobre como as dinamarquesas “já tinham uma mão no troféu”.

Isso enfureceu Soubak que imprimiu os artigos de todos os grandes jornais dinamarqueses e os traduziu para suas jogadoras dizendo: "Olha, isso é o que o mundo do handebol pensa de vocês. Eles acham que não temos a menor chance! Vamos provar que eles estão errados".

Ele motivou a equipe, que deu uma grande virada, e venceu a Dinamarca por 27 a 21 e, na final, venceu as sérvias, em sua casa, por 22 a 20.

Em entrevista ao Olimpiadia Todo Dia, Alexandra do Nascimento relembra o que aconteceu durante esse período com o técnico dinamarquês no comando, e sua importância para a maior conquista do Handebol Brasileiro.

"Isso tudo tem a ver com Morten. Não posso deixar de dizer isso. Eu me lembro que no primeiro treino ele disse que iria ganhar uma medalha em um grande campeonato conosco."

Como uma das pioneiras do Handebol Brasileiro, a atelta de 37 anos de idade compartilhou um dos segredos para o sucesso de Soubak: "Para ele, nosso handebol tinha que ser como o nosso estilo. Vibrante e intenso, sempre", disse a primeira brasileira a ser eleita como Melhor Jogadora do Mundo do Ano pela IHF.

Alexandra do Nascimento recebe o prêmio de Melhor Jogadora de Handebol do Mundo em 2012 pela IHF.
Alexandra do Nascimento recebe o prêmio de Melhor Jogadora de Handebol do Mundo em 2012 pela IHF.Alexandra do Nascimento recebe o prêmio de Melhor Jogadora de Handebol do Mundo em 2012 pela IHF.

O caminho para as Olimpíadas através dos Jogos Pan-Americanos

A equipe feminina estava focada em algo grande nas Olimpíadas da Rio 2016.

Não foi apenas o maior torneio de handebol, mas também, o fato de estarem em casa. A motivação era muito alta e, desta vez, as pessoas assistiam o Brasil como um dos candidatos à medalha. Mas as brasileiras de Soubak perderam nas quartas de final, depois de serem derrotadas pela Holanda por 32 a 22.

O dinamarquês não está mais no comando da equipe brasileira, agora ele está em um novo desafio, buscando levar outra nação do handebol a sua ascensão. Depois que Angola chegou às quartas de final na Rio 2016, eles começaram a sonhar alto para os próximos Jogos, e, Soubak ficou encarregado de liderá-los na Tóquio 2020 e além.

Mas a base do seu trabalho e legado no Brasil ainda continua vivo. A seleção feminina, agora sob a orientação de Jorge Dueñas, venceu os Jogos Pan-Americanos de Lima, conquistando seu sexto título consecutivo.

A vitória garantiu seu lugar nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, já a equipe masculina pode fazer o mesmo, caso levem o título dos Jogos Pan-Americanos.

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