Especial | Basquete

O que as Olimpíadas significaram para Kobe Bryant

Para o homem que tinha tudo no basquete, as Olimpíadas eram uma oportunidade de se testar em uma nova equipe, resgatar o status de número um do seu país e passar a "mentalidade Mamba".

Andrew Binner ·

Quando Kobe Bryant estreou no basquete Olímpico em Pequim 2008, ele já era tricampeão da NBA, além de ser o jogador mais valioso do campeonato.

Ele era considerado um mito dos LA Lakers e um dos atletas mais famosos dos Estados Unidos, se não do mundo.

Mas a principal motivação do jogador não veio da fama ou do dinheiro.

Ele queria ser o melhor jogador de basquete do planeta, testar seus talentos em novas áreas e representar o seu país.

Após a trágica morte da lenda do basquete, em um acidente de helicóptero, as imagens comoventes de Bryant em duas Olimpíadas provaram que ele era o melhor jogador e líder de equipe, e ele ainda afirmou, antes de sua estréia Olímpica, que uma medalha de ouro significaria mais para ele do que o Campeonato da NBA.

Relembre alguns dos momentos Olímpicos mais emocionantes de Kobe Bryant.

A ex-estrela do basquete, que morreu tragicamente em um acidente de helicóp...

A Equipe da Redenção

Ondas de choque abalaram o mundo do basquete nas Olimpíadas de Atenas 2004, quando a equipe dos EUA foi eliminada pela Argentina nas semifinais, que foi a eventual campeã. Sem Kobe.

A derrota foi um duro golpe para os favoritos do pré-campeonato na quadra e na volta para casa, Bryant estava determinado a corrigir isso.

Na verdade, o craque nascido na Filadélfia estava tão ansioso para jogar em Pequim que atrasou a cirurgia de um ligamento rasgado no dedo.

"Teve muita beleza na derrota, porque isso significava que o jogo que amamos está crescendo... mas ao mesmo tempo foi "OK, isso é lindo, mas agora queremos vencer novamente", disse Bryant no canal do Comitê Internacional Olímpico, no YouTube em 2015.

"(Pequim) 2008 foi sobre recuperar o que começamos. Mal podíamos esperar para ir atrás fa vitória e levar aquela medalha de ouro... para nós foi uma oportunidade de redenção.

"Foi algo muito pessoal para nós, foi colocar o nosso país de volta no topo". É um sentimento diferente de jogar pelo seu país. Quando se joga na NBA, se joga por uma cidade em particular, mas quando se joga pelo seu país, essas linhas desaparecem. É uma grande honra que vai além de ganhar o Campeonato da NBA."

Mas o seu desejo de jogar nas Olimpíadas não era apenas vingar a perda de 2004. Era também experimentar um novo ambiente esportivo e prestar homenagem a todos os outros atletas do mundo que haviam trabalhado tanto para estar lá.

"Você tem os melhores do mundo no que eles praticam de melhor", disse ele.

"Para mim isso é ainda mais especial do que estar em LA (Los Angeles) e ver celebridades andando por aí, porque é de atleta para atleta.

"Eu entendo o que eles fazem para chegar lá, e por isso há tanto respeito e admiração mútua."

A "Mentalidade Mamba" de Kobe Bryant

Bryant foi fundamental nos Jogos de Pequim, marcando 20 pontos e contribuindo com seis assistências em uma final de arrebentar unhas, quando a equipe dos EUA derrotou a Espanha por 118-107 para levar a medalha de ouro.

Mas ainda mais valiosa do que a sua habilidade de jogar era a sua habilidade para liderar, e a sua dedicação para treinar.

No primeiro encontro da equipe, quando os astros da NBA como LeBron James, Dwyane Wade e Carmelo Anthony chegaram e sentaram à fileira de trás, Bryant se sentou à parte dos colegas, na segunda fileira, onde podia ouvir melhor o que o técnico Mike Krzyzewski estava dizendo.

As primeiras partidas de Bryant também causaram boa impressão na equipe, que seguiu o exemplo e foi para o ginásio às cinco horas da manhã.

"Seu primeiro dia de treino, quando a equipe se reuniu naquele verão, ele deu o tom", disse o então presidente do Basquete dos EUA, Jerry Colangelo, ao Bleacher Report.

"A bola estava no ar, bateu no chão, e ele mergulhou para a bola solta, e lá estava ela. Isso foi o começo."

"Acho que a experiência Olímpica deu às pessoas uma opinião diferente, um outro ponto de vista sobre Kobe, e acho que a experiência ajudou a Kobe avançar."

Finais Clássicas: basquetebol masculino de 2012

Pela segunda Olimpíada seguida, equipa dos USA enfrentou a Espanha em jogo ...

Um cão alfa em uma matilha de cães alfa

Com a maturidade de Bryant, ele conseguiu se estabelecer como o líder de uma equipe repleta de talentos.

"Acho que LeBron se beneficiou de Kobe, e vice-versa", disse o membro mais velho da equipe, Jason Kidd, ao Bleacher Report.

"Acho que você pode olhar para Kobe e todos ficaram melhores, todos tiveram ótimos anos que no ano seguinte. 'Melo, Chris Paul, esses caras ficaram melhores vendo Kobe naquela luz, e LeBron."

"Nunca um guerreiro maior"

Ao saber da sua morte, o técnico olímpico de Bryant, Krzyzewski, e o seu assistente Jim Boeheim, reforçaram o afeto do jogador pela seleção durante esse período.

"Tive a incrível honra de treinar Kobe nos Jogos Olímpicos de 2008 e 2012, e sempre me lembrarei do quanto ele valorizava representar o seu país de uma forma de primeira classe, jogando o jogo que tanto amava", disse Krzyzewski ao Uahoo Sport.

"Ele estava em constante busca de fazer algo especial e nunca vai existir um guerreiro maior em nosso esporte".

"O basquete é melhor hoje em dia por causa de Kobe, e ele merece o nosso eterno reconhecimento por isso". Esta é uma perda devastadora."

"Ele veio no primeiro dia e trabalhou o dobro do que todos os outros. Ele ensinou a todos os jovens jogadores, LeBron e Carmelo e a todos aqueles jogadores: "Isto é o que você tem que fazer. Você tem que ir atrás disso", continuou Boeheim.

"Perdemos no Campeonato do Mundo no ano anterior. E ele mostrou a todos - isto é o que você faz". E nós vencemos todos naquele torneio, depois fomos aos Jogos Olímpicos e vencemos todos". Quando foi um jogo apertado contra a Espanha na final, ele pegou a bola, fez a jogada para ganhar o jogo.

Homenagens dos colegas da equipe Olímpica

Dwayne Wade fez parte da equipe norte-americana que perdeu para a Argentina em 2004, antes de ganhar o ouro em 2008, ele disse à ESPN que Bryant era a referência para ele.

"Ele era um grande líder e um grande campeão. Se você teve a chance de conhecer Kobe, não havia ninguém melhor. Quando entrei no campeonato ele era quem eu copiava, queria ser respeitado por ele, porque sabia que se chegasse a esse nível, então tinha conseguido algo".

Carmelo Anthony, que se aproximou de Bryant depois de jogar nas mesmas equipes de ouro em 2008 e 2012, elogiou sua ligação, que foi muito além do esporte, no USA Today.

"Nossa amizade e relacionamento era mais profunda do que o basquete", disse Anthony. "Era de família. Era a amizade. O basquete era o último pedaço que nos unia".

O "melhor embaixador norte-americano do planeta"

Um homem que viu, nas suas próprias palavras a "febre Kobe", e seu efeito sobre o mundo nas Olimpíadas, foi Bob Condron, ex-Diretor de Serviços de Mídia + Operações, para o Comitê Olímpico dos Estados Unidos.

"Foi uma viagem de ônibus em uma manhã movimentada em Pequim, em agosto de 2008", lembrou Condron. "Era a equipe Olímpica de basquete dos EUA que se dirigia aos treinos. Os melhores jogadores de basquete do mundo, com fones de ouvido conectados, 12 jogadores e todo o pessoal observando a estrada lá fora, com suas maravilhas e intrigas, todos eles se preparando para representar nosso país no palco mais amplo que os esportes podem apresentar". O treinador Mike Krzyzweski sentado atrás do condutor, passando o seu dia e o que seria necessário para que todas estas várias personalidades e talentos se reunissem durante 17 dias nos Jogos Olímpicos. À sua direita, ao lado da janela, estava Kobe Bryant, que estava concentrado. Vestido com o uniforme de basquete dos EUA, os cinco anéis nos seus dedos. Representar o seu país era importante para ele. "Qual é a nossa missão hoje, treinador", perguntou ele ao homem à sua esquerda. Kobe não queria apenas atirar em cestas, ele queria estar envolvido em tornar esta equipe melhor. Ele precisava saber esses detalhes porque todos os detalhes somavam se você desejava ser o melhor".

"Ele sempre era o primeiro a sair do ônibus para treinar. Uma vez, ele olhou para a sua esquerda e viu algo que o surpreendeu. Em uma madrugada, tinha cerca de 10 mulheres chinesas, mais velhas, todas entusiasmadas para ver a equipe de basquete dos EUA. Ele caminhou até elas para dizer olá. Somente para sorrir e tornar as vidas dessas senhoras um pouco mais brilhantes. E foi isso que ele fez todos os dias", disse ele, em homenagem à Bryant.

"E uma vez, durante o aquecimento, atirando em cestas... durante cerca de 15 minutos ele parou para conhecer a mídia. Foi algo que nunca tinha visto no esporte. Com a mídia mundial presente, e todos esperando conseguir algumas palavras com Kobe.

Ele deu três entrevistas em três idiomas diferentes às equipes de TV da Itália, Espanha e EUA. Ninguém esperava isso, mas em uma sessão de 10 minutos Kobe falou com 25 milhões de telespectadores na sua própria língua."

"E depois vieram as Cerimónias de Abertura. A equipe norte-americana estava se reunindo para as cerimônias na arena da Ginástica, pronta para fazer uma caminhada de cerca de 800 metros até o Anfiteatro para entrar no estádio diante de mais de um bilhão de telespectadores em todo o mundo.

"No caminho, os olhos dos atletas de todo o mundo se abriram quando viram Kobe. Atletas de pista da República Dominicana, jogadores de handebol croatas, ginastas russos, esgrimistas dinamarqueses...todos ficaram hipnotizados por Kobe. Eles queriam um tapinha nas costas, uma foto, só para cumprimentar o jogador de basquete mais famoso do mundo. E ele parou em cada oportunidade de aperto de mão, cada "Olá Kobe" gritado na sua direção. Naquele momento, ele era o maior embaixador norte-americano do planeta."

Compromisso Olímpico

Mesmo na aposentadoria, Bryant manteve laços estreitos com o movimento Olímpico.

Ele participou das provas Olímpicas de 2016 da ginástica feminina nos EUA e ajudou a levantar fundos para a fundação da Equipe de Natação dos EUA, além de ter contribuído para garantir com sucesso os Jogos Olímpicos para a cidade de Los Angeles em 2028.